Cardeal Tempesta fala sobre o processo de impeachment

Após o discurso de defesa da Presidente afastada Dilma Rousseff na segunda-feira (29/08) e da sessão de perguntas e respostas com os senadores que durou mais de 13h, o processo de impeachment encaminha-se para o final.

Nesta terça-feira, advogados de acusação e defesa terão novamente a oportunidade de se pronunciar, assim como cada um dos senadores, que poderá discursar por até dez minutos.

A votação dos senadores em destituir ou não Dilma Rousseff será decidida por voto aberto. Para que haja o afastamento, é preciso que a maioria simples de 2/3 dos senadores (54 de 81) vote pelo impedimento da presidente.

Caso seja afastada definitivamente, o presidente interino Michel Temer tomará posse.

Sobre o quadro político brasileiro, a Rádio Vaticano entrevistou o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta.

“Tudo que aconteceu ontem no Senado Federal era esperado: nada acrescentado àquilo que já havia sido dito e debatido. Hoje continuam os debates com defesa e acusação, há também a possibilidade de cada senador falar por dez minutos, portanto vai se estender bastante ainda para só então começar a votação para a qual, aparentemente, existe uma certa maioria (favorável ao impeachment) mas somente depois com a votação teremos o real resultado deste julgamento de impeachment da presidente da República. Como o Brasil é um país presidencialista não é tão simples mudar o presidente. Por isso, todo este exaustivo e complexo trabalho, mas que tem que ser levado adiante”.

RV: Quais são as preocupações do povo?

“O povo deseja que o Brasil melhore. Que haja emprego, que melhore a economia do país. Em geral, o povo tem seu lado, seus lados – de oposição ou favorável à presidente, ou não – mas o povo deseja que as coisas que decaíram tanto no país possam melhorar. O povo sente na pele a dificuldade de emprego, a dificuldade para poder pagar as contas no fim do mês, preocupação com a instabilidade política, economia e deseja realmente que as coisas sejam transformadas”.

RV: A Igreja já se posicionou em defesa da democracia, como está a democracia hoje no Brasil?

“Eu creio que está dentro daquilo que diz a nossa Constituição: que cabe justamente ao Congresso Nacional dar estes passos. Eu creio que todas as entidades da democracia brasileira estão funcionando – os poderes executivo, judiciário, legislativo – e também pela possibilidade de se defender a quem está sendo acusado, assim como também dizer as verdades. Eu creio que é um exercício de democracia. Embora saibamos que, às vezes, um modo de pensar hegemônico que se quer ter, nem sempre aceita a divergência. Mas eu creio que é uma maneira de exercer a democracia, na diversidade cultural do Brasil, e que vai acontecendo. Se mantido o previsto pela legislação brasileira, pela Constituição, se seguir o rito de acordo com a legislação, realmente vai vencer a democracia sem dúvida nenhuma no sentido de poder expressar aquilo que é a vontade do Congresso Nacional e do povo brasileiro”.

RV: Muito obrigado, Dom Orani, alguma consideração final?

“Eu desejo que depois de todo esse sofrimento pelo qual passa o país, o povo já está cansado de viver tantas situações assim, tantos problemas. Também a falta de ética na gestão do bem público. Para continuar na democracia, temos a responsabilidade de construir um país melhor.”

Fonte: Rádio Vaticano

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