LITURGIA DO DIA 27 DE AGOSTO DE 2013

imageSANTA MÔNICA
ESPOSA, MÃE E VIÚVA 
(Branco, Prefácio Comum ou dos Santos – Ofício da Memória)

Comentário da liturgia por Vitor Paris fundador da comunidade Jesus está vivo.

Realmente muito forte e intenso o que disse Jesus aos fariseus, e vale também para nós “Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça.” Pois bem, para o nosso amado Deus o que vole não é a aparência mas a verdade. O que parece ser preciso se revestir de verdade e a verdade pertence ao mundo do ser, a verdade não se limita à aparência. A verdade do ser, a essência das coisas, o que elas realmente são em sua essência é onde se encontra a verdade. De tal modo, que muitas vezes, a verdade fica escondida por detrás da aparência. Isto é o que podemos chamar de fachada, quando se diz: “tal coisa é tudo de fachada” é que a realidade está escondida. Jesus disse, “vós pareceis justos” mas por fora apenas, vocês parecem ser o que de fato vocês não são. Quando o Senhor fala, outrossim, “mas por dentro estais cheios de hipocrisia” Jesus mostra que a moeda do reino, de certa forma, passa pela sinceridade e principalmente pela honestidade. Sem honestidade verdadeira não tem conversa! Verdadeiramente o Senhor exige esta honestidade, essa autenticidade, a pessoa tem que ser verdadeira, Jesus não adimite que a pessoa fique só de aparência, vivendo de agradar os outros o tempo todo, ou preocupado com a imagem. Se o importante para a pessoa é o que vão pensar dela e não o ser de verdade, daí uma vida de aparência, então tudo não passa de falsidade, deixa-se de imprimir aquela necessária luta diária para se viver a santidade de verdade e opta-se por gastar os esforços em manter as aparências e assim, o coração fica podre. Por fora impecável, mas por dentro, podre!

São Paulo vai dizer na 1ª leitura de hoje (1TS 2,1-8 ),que não fez nada na ambigüidade ou no desejo de enganar … Também não buscou agradar aos homens mas a Deus. Clarividente é que são Paulo era verdadeiramente um homem cujo coração pertencia à Jesus, não estava vivendo ou preocupado com as aparências. Ele se “preocupava” com Deus, seu desejo não era enganar, mas agradar o seu Senhor. Quando a pessoa se converte é assim, o coração dela é de Deus e portanto a vida dela vai corresponder naturalmente. Se não for assim passamos a vida inteira escondendo quem nós somos. Santo Agostinho disse:”ame e fazê o que quiserdes”. Sejamos de Deus, entreguemos o nosso coração ao Senhor e nossa vida será verdadeira, não precisaremos esconder nada, também não precisaremos ser perfeitos por fora por que a experiência do amor de Deus nos libertará da cobrança do perfeccionismo, e pela misericórdia do Senhor nos sentiremos aceitos e amados como somos e cessará a lei do ter que ser perfeito e vigorará a lei do acolhimento de Deus.

Leitura da primeira carta de são Paulo aos Tessalonicenses.
2 1 Bem sabeis, irmãos, que a nossa ida a vós não foi em vão.
2 Apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como sabeis, ousamos, confiados em nosso Deus, pregar-vos o Evangelho de Deus em meio de muitas lutas.
3 A nossa pregação não provém de erro, nem de intenções fraudulentas, nem de engano.
4 Mas, como Deus nos julgou dignos de nos confiar o Evangelho, falamos, não para agradar aos homens, e sim a Deus, que sonda os nossos corações.
5 Com efeito, nunca usamos de adulação, como sabeis, nem fomos levados por fins interesseiros. Deus é testemunha.
6 Não buscamos glórias humanas, nem de vós nem de outros.
7 Na qualidade de apóstolos de Cristo, poderíamos apresentar-nos como pessoas de autoridade. Todavia, nos fizemos discretos no meio de vós. Como a mãe a acariciar os seus filhinhos,
8 assim, em nossa ternura por vós, desejávamos não só comunicar-vos o Evangelho de Deus, mas até a nossa própria vida, porquanto nos sois muito queridos.
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial 138/139

Senhor, vós me sondais e me conheceis!

Senhor, vós me sondais e conheceis,
sabeis quando me sento ou me levanto;
de longe penetrais meus pensamentos,
percebeis quando me deito e quando eu anda,
os meus caminhos vos são todos conhecidos.

A palavra nem chegou à minha língua,
e já, Senhor, a conheceis inteiramente.
Por detrás e pela frente me envolveis;
pusestes sobre mim a vossa mão.
Essa verdade é por demais maravilhosa,
é tão sublime, que não posso compreendê-la.

Evangelho (Mateus 23,23-26)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 23 23 disse Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante.
24 Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo.
25 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Limpais por fora o copo e o prato e por dentro estais cheios de roubo e de intemperança.
26 Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo”.
Palavra da Salvação.

O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE.

CEGUEIRA E HIPOCRISIA
O exagero dos mestres da Lei e dos fariseus em cumprir, minuciosamente, certas prescrições, tinha como contraponto o desprezo pelo que, de fato, era importante. Os exemplos oferecidos por Jesus eram contundentes. Embora fossem fiéis no pagamento do dízimo das hortaliças, até mesmo das ervas mais comuns, deixavam de praticar a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Agindo dessa forma, invertiam os valores: o prioritário ocupava o segundo lugar, tornando-se menos importante, ao passo que o elemento secundário passava a ter primazia.
Esta visão desfocada da realidade pode ser fatal. Deixando de lado o que é fundamental, a pessoa estará investindo sua vida numa causa perdida. A condenação virá na certa, por se tratar de um projeto de vida sem consistência. Só a justiça, a misericórdia e a fidelidade podem projetar a existência humana na perspectiva da salvação.
A distorção da realidade acontece também no cuidado que os mestres da Lei e dos fariseus tinham com a limpeza das louças, para não contrair impureza, enquanto seu interior estava repleto de maldade. Sem a pureza interior, a preocupação com a pureza das coisas materiais de uso diário perde seu sentido. A impureza do coração afasta a pessoa da vontade de Deus. Pelo contrário, buscando-se a pureza interior, tudo o mais torna-se puro.
Portanto, é prudente não dar ouvidos aos ensinamentos dos falsos mestres.

Por: Dom Total

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