LITURGIA DO DIA 28 DE AGOSTO DE 2013

imageSANTO AGOSTINHO
BISPO E DOUTOR 
(Branco, Prefácio Comum ou dos Pastores – Ofício da Memória)

Comentário da liturgia por Vitor Paris fundador da comunidade Jesus está vivo.

O conteúdo do evangelho de hoje é o mesmo de ontem, a saber, ontem foi dia de Santa Mônica e hoje dia de santo Agostinho seu filho. Ela rezou mais de 30 anos pela conversão de seu filho que na época era um devasso. Hoje, assim como ontem, Jesus fala de não sermos hipócritas, de não sermos sepulcros caiados, vivendo uma santidade de aparências, uma entrega de fachada. Com efeito, Santa Mônica teve que orar muito para que seu filho se entregasse a Deus, assim também nós, se queremos nos entregar de verdade ao Senhor, e sermos pessoas sem falsidade espiritual teremos que nos entregar á oração para valer. Sem a oração o nosso viver para Deus torna-se uma farsa. Santo Afonso de Ligório dizia: “quem reza se salva, quem não reza se condena”. Nós não rezamos para mudar a vontade de Deus, Deus é imutável, nós rezamos para que a sua vontade se realize, pois temos a certeza de fé, de que Ele nos quer fazer feliz, nesse sentido, nós rezamos para impetrar as graças de Deus, como que para tomar posse do que nos é dado, algo nos foi dado e nós, então, vamos buscar pela oração. A vida espiritual necessita da oração. A oração é o respiro da alma. A oração é importante até mesmo para recepção dos sacramentos, como o da confissão e o da eucaristia por exemplo, assim, aquilo que os sacramentos comunicam nós tomamos posse pela oração, é o que a teologia dos sacramentos chama de “as disposições interiores” com as quais se devem recebe-los. Ao chamar os fariseus de falsos, Jesus nos mostra que precisamos estar em contínua oração para que nossa vida seja coerente, coerente pela força de Deus, força de Deus que chega de fato a nós pela oração.

Além do mais, São Paulo na primeira leitura de hoje(1ª1Ts 2,9-13 ) vai falar ” nós exortamos a cada um de vós e encorajamos e insistimos, para que vos comporteis de modo digno de Deus”. Jesus fala de combater a hipocrisia e São Paulo de viver de modo digno de Deus. Mesmo quando somos hipócritas somos filhos de Deus. Somos filhos de Deus mas não significa, infelizmente, que vivamos como filhos de Deus. E não sermos apenas uma fachada passa por esta luta em nos portarmos e agirmos como filhos de Deus. Por um lado eu devo tomar consciência dessa minha identidade: eu sou filho de Deus e participo de sua divindade pela presença do Espírito Santo em mim, mas por outro lado, eu preciso me entregar cada vez mais a Deus para participar de um modo mais íntimo de sua divindade presente em mim, afim de que verdadeiramente eu viva como um filho de Deus. Resumindo, é o seguinte: ser filho de Deus é uma graça, é um dom e nós não fizemos nada para merecer ou ter isso como direito e viver como filho de Deus, também é uma graça, mas a essa graça temos que colaborar. É como disse Santo Agostinho: “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”

Leitura (1 Tessalonicenses 2,9-13)

Leitura da primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses.
2 9 Vós vos lembrais, irmãos, dos nossos trabalhos e de nossa fadiga. Trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, pregamo-vos o Evangelho de Deus.
10 Vós sois testemunhas, e também Deus, de quão santa, justa e irrepreensivelmente nos portamos convosco que crestes.
11 E sabeis que procedemos com cada um de vós como um pai com seus filhos:
12 nós vos temos exortado, estimulado, conjurado a vos comportardes de maneira digna de Deus, que vos chama ao seu Reino e à sua glória.
13 Por isso é que também nós não cessamos de dar graças a Deus, porque recebestes a palavra de Deus, que de nós ouvistes, e a acolhestes, não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, como palavra de Deus, que age eficazmente em vós, os fiéis.
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial 138/139

Senhor, vós me sondais e me conheceis! 

Em que lugar me ocultarei de vosso espírito?
E para onde fugirei de vossa face?
Se eu subir até os céus, ali estais;
se eu descer até o abismo, estais presente.

Se a aurora me emprestar as suas asas,
para eu voar e habitar no fim dos mares,
mesmo lá vai me guiar a vossa mão
e segurar-me, com firmeza, a vossa destra.

Se eu pensasse: “A escuridão venha esconder-me
e que a luz ao meu redor se faça noite!”
Mesmo as trevas, para vós, não são escuras,
a própria noite resplandece como o dia.

Evangelho (Mateus 23,27-32)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
23 27 Disse Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão.
28 Assim também vós: por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.
29 Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Edificais sepulcros aos profetas, adornais os monumentos dos justos
30 e dizeis: Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos manchado nossas mãos como eles no sangue dos profetas.
31 Testemunhais assim contra vós mesmos que sois de fato os filhos dos assassinos dos profetas.
32 Acabai, pois, de encher a medida de vossos pais!”
Palavra da Salvação

O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês.

Por sete vezes Mateus usa a expressão “ai de vós” para introduzir as acusações dirigidas contra os escribas e fariseus. No Evangelho de hoje, temos os dois últimos “ai de vós” da seqüência. A repetição explícita, “ai de vós, escribas e fariseus hipócritas…”, mostra-nos a contundência da censura. Na ocasião das grandes festas, os sepulcros eram caiados para evitar algum contato involuntário de alguém que, assim, se tornaria impuro.
A comparação com o sepulcro tem duplo sentido: a contradição entre a aparência e o interior, e o foco de contaminação. Os escribas e fariseus aparentam justiça, mas por dentro estão cheios de injustiça, e sua doutrina é
contaminadora. No sétimo “ai”, quando os escribas e fariseus enfeitam os túmulos afirmando que, se tivessem vivido no tempo de seus pais, não teriam cumplicidade na morte dos profetas, eles estão reconhecendo que são filhos dos assassinos. E atingem o auge da hipocrisia, pois querem fazer o que negam: matar Jesus.

Por: Dom Total

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