O agradecimento de Bento XVI

Os 65 anos de ordenação sacerdotal do Joseph Ratzinger foram celebrados esta terça-feira na Sala Clementina, no Vaticano, na presença do Papa Francisco e do próprio Papa emérito, além de numerosos Cardeais e a delegação do Patriarcado Ecumênico em visita ao Vaticano por ocasião da Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.

Bento XVI foi saudado pelo Papa Francisco, pelo Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Mülle,r  e pelo Decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Angelo Sodano. O último a se pronunciar foi o próprio Papa emérito, que usou estas palavras de agradecimento:

“Santo Padre, queridos irmãos,

65 anos atrás, um irmão ordenado comigo me convenceu de escrever no santinho da primeira missa somente, exceto o nome e as datas, uma palavra, em grego: “Eucharistomen”, convencido que com esta palavra, nas suas múltiplas dimensões, já está dito tudo o que pode se pode dizer neste momento. “Eucharistomen” diz um agradecimento humano, obrigado a todos. Obrigado especialmente ao senhor, Santo Padre! A sua bondade, desde o primeiro momento da eleição, em cada momento da minha vida aqui, me toca, me leva, realmente, interiormente. Mais do que nos Jardins do Vaticano, com a sua beleza, a Sua bondade é o lugar onde eu moro: Sinto-me protegido. Obrigado também pela palavra de agradecimento, por tudo. E esperamos que o senhor possa seguir em frente com todos nós neste caminho da Divina Misericórdia, mostrando o caminho de Jesus, para Jesus, para Deus.

Obrigado também ao senhor, [Cardeal Sodano], por suas palavras que realmente me tocaram o coração: Cor ad cor loquitur. O senhor fez presente quer a hora da minha ordenação sacerdotal, quer  também a minha visita em 2006 em Frisinga, onde eu revivi tudo isso. Eu só posso dizer que assim, com estas palavras, o senhor interpretou a essência da minha visão do sacerdócio, do meu agir. Lhe sou grato pelo laço de amizade que até agora continua por um longo tempo, de telhado a telhado [refere-se a suas casas que estão próximas]:  é quase presente e palpável.

Obrigado, Cardeal Müller, pelo trabalho que faz para a apresentação dos meus textos sobre o sacerdócio, nos quais procuro também ajudar os confrades a entrar sempre de novo no mistério em que o Senhor se dá em nossas mãos.

“Eucharistomen”: naquele momento o amigo Berger queria mencionar não somente a dimensão da gratidão humana, mas naturalmente a palavra mais profunda que se esconde, que aparece na Liturgia, nas Escrituras, nas palavras gratias agens benedixit Fregit deditque. “Eucharistomen” lembra-nos da realidade de ação de graças, daquela nova dimensão que Cristo deu. Ele transformou em gratidão e assim em bênção, a cruz, o sofrimento, todo o mal no mundo. E então basicamente ele transubstanciou a vida e o mundo e deu-nos, e nos dá a cada dia, o pão da verdadeira vida, que supera o mundo graças à força de Seu amor.

No final, queremos inserir-nos neste “obrigado” do Senhor, e assim receber realmente a novidade de vida e ajudar para a transubstanciação do mundo: é um mundo não de morte, mas de vida; um mundo em que o amor venceu a morte.

Obrigado a todos vocês. Que o Senhor abençoe a todos nós.

Obrigado, Santo Padre”.

Fonte: Rádio Vaticano

 

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