Papa: diálogo autêntico é sinal de esperança e paz

AFP3729294_ArticoloEsta última sexta-feira, 28/11, marcou o primeiro dia da Viagem Apostólica do Papa à Turquia. Após o encontro com as autoridades, Francisco manteve um encontro privado com o Primeiro Ministro, Ahmed Davutoglu. A seguir, deixou o Palácio presidencial e se transferiu para a residência do Departamento dos Assuntos Religiosos – Diyanet, que representa a mais alta Autoridade religiosa islâmica sunita da Turquia.

Ali, o Papa se encontrou com o Presidente do Departamento, Mehmet Gormez, em forma privada, e, a seguir, acompanhado de algumas personalidades da Comunidade muçulmana, o Bispo de Roma pronunciou seu discurso aos líderes políticos e religiosos, muçulmanos e cristãos.

Após saudar cordialmente os presentes, o Pontífice disse que, segundo a tradição, os Papas, quando visitam os diversos países, no desempenho da própria missão, mantêm encontros também com as autoridades e as comunidades de outras religiões. Sem esta abertura ao encontro e ao diálogo, uma visita papal não corresponderia plenamente às suas finalidades, na esteira dos seus venerados Antecessores. Nesta perspectiva, o Santo Padre afirmou:

“Na verdade, as boas relações e o diálogo entre líderes religiosos revestem-se de grande importância. Constituem uma mensagem clara dirigida às respectivas comunidades, manifestando que, apesar das diferenças, são possíveis o respeito mútuo e a amizade. Esta, além de ser um valor em si mesma, adquire significado especial e importância acrescida em um tempo de crise como o nosso: crise que se torna, em algumas áreas do mundo, verdadeiros dramas para inteiras populações”.

Com efeito, acrescentou o Papa, há guerras que semeiam vítimas e destruições, tensões e conflitos entre etnias e religiões, fome e pobreza que afligem centenas de milhões de pessoas, causando prejuízos ao meio ambiente, ao ar, à água, à terra. E o Papa recordou:

“É verdadeiramente trágica a situação no Médio Oriente, especialmente no Iraque e na Síria. Todos sofrem com as consequências dos conflitos, e a situação humanitária é angustiante. Penso em tantas crianças, os sofrimentos de tantas mães, os idosos, os sem-teto e os refugiados, e as violências. É realmente preocupante, sobretudo por causa de um grupo extremista e fundamentalista, que inteiras comunidades, de modo particular cristãos e yazidis que sofreram e sofrem violências desumanas por causa da sua identidade étnica e religiosa. Foram expulsos à força das suas casas, tiveram de abandonar tudo para salvar a sua vida e não renegar a fé. A violência atingiu até edifícios sagrados, monumentos, símbolos religiosos e o patrimônio cultural, como se quisessem apagar todo o vestígio, qualquer memória do outro”.

Como chefes religiosos, disse o Bispo de Roma, temos a obrigação de denunciar todas as violações da dignidade e dos direitos humanos. A vida humana, dom de Deus Criador, tem um caráter sagrado. Por isso, a violência, que busca uma justificação religiosa, merece a mais forte condenação, porque é Deus dono da vida e da paz. O mundo espera, de todos os que O adoram, que sejam homens e mulheres de paz, capazes de viver como irmãos e irmãs, apesar das diferenças étnicas, religiosas, culturais ou ideológicas.

A denúncia, afirmou ainda Francisco, deve ser acompanhada pelo trabalho comum para se encontrar soluções adequadas. Isto requer a colaboração de todos: governos, líderes políticos e religiosos, representantes da sociedade civil e os homens e mulheres de boa vontade. Em particular, os responsáveis das comunidades religiosas podem oferecer a valiosa contribuição dos valores presentes nas respectivas tradições.

Nós, muçulmanos e cristãos, somos depositários de tesouros espirituais inestimáveis, entre os quais reconhecemos elementos de convergência, embora vividos com tradições próprias: a adoração de Deus misericordioso, a referência ao patriarca Abraão, a oração, a esmola, o jejum… elementos que, vividos sinceramente, podem transformar a vida e dar uma base segura para a dignidade e a fraternidade dos homens.

Reconhecer e desenvolver esta convergência espiritual, através do diálogo inter-religioso, concluiu o Papa ajuda-nos também a promover e defender, na sociedade, os valores morais, a paz e a liberdade. O reconhecimento conjunto da sacralidade da pessoa humana sustenta a compaixão comum, a solidariedade e a ajuda efetiva aos mais atribulados.

A este respeito, o Pontífice expressou seu apreço pelo que todo o povo turco, muçulmanos e cristãos, estão fazendo pelas centenas de milhares de pessoas que fogem dos seus países por causa dos conflitos. Isto é um exemplo concreto de como trabalhar em conjunto para servir os outros, um exemplo que deve ser incentivado e apoiado.

Por fim, o  Papa demonstrou satisfação pelas boas relações e a cooperação entre o Diyanet e o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, esperando que continuem e se consolidem para bem de todos, porque toda a iniciativa de diálogo autêntico é sinal de esperança para um mundo tão necessitado de paz, segurança e prosperidade.

Ao término deste encontro com aos líderes políticos e religiosos, muçulmanos e cristãos, o Santo Padre deixou o Departamento dos Assuntos Religiosos e se dirigiu à Nunciatura Apostólica, em Ancara, onde pernoitará.

Fonte: Rádio Vaticano

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